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Bolsonaro diz que jornalistas são “raça em extinção” e que ler jornal “envenena”, mas é o rei do “quebra queixo”

Em novo ataque à imprensa, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira, 6, que jornalistas são uma “raça em extinção” e que ler jornal “envenena”. Bolsonaro afirmou que vincularia os repórteres ao Ibama, órgão que, entre outras atribuições, defende animais ameaçados: “Vocês são uma espécie em extinção. Eu acho que vou botar os jornalistas do Brasil vinculados ao Ibama. Vocês são uma raça em extinção”.

A declaração foi feita em frente ao Palácio da Alvorada, onde o presidente costuma falar com a imprensa e tirar selfies com apoiadores. Bolsonaro disse que a imprensa “não sabe nem mentir mais”, mas que não iria estender as críticas a todos os jornalistas. “Para não ser processado pela ANJ (Associação Nacional de Jornais) e não sei o quê”, justificou.

O presidente disse que “cada vez mais gente não confia” na imprensa. E lembrou que mandou cancelar a compra de jornais e revistas impressas ao Planalto. A Presidência não renovou contrato para compra de periódicos – nacionais e internacionais -, que se encerrou no fim de 2019. Firmada em 2017, a compra era de R$ 582.911,40 anuais e abastecia o Palácio do Planalto e o escritório regional da Presidência em São Paulo, além de fornecer assinaturas digitais. “Todos, todos foram cancelados. Não recebo mais papel de jornal ou revista. Quem quiser que vai comprar. Porque envenena a gente ler jornal. Chega envenenado”, disse ele.

O novo ataque do presidente à imprensa hoje começou após ele ser questionado se enviaria antes ao Congresso Nacional a reforma administrativa ou tributária. Na mesma entrevista, o presidente ainda disse que tem uma vida difícil. E acusou que jornalistas “ensaboavam” ex-presidentes devido a pagamentos mais altos de publicidade às empresas de comunicação. “A vida do presidente que quer fazer pelo Brasil não é fácil. Nunca vocês tiveram um presidente que conversasse tanto com vocês. Nunca. E quando conversavam, era só ensaboar, e vocês aceitavam por quê? Porque recebiam mais de R$ 1 bilhão por ano a título de propaganda. Aí, pô, fica quieto, vai dizer que papai e mamãe está tudo bem, mas não estava. O Brasil estava afundando”, declarou.

Em 20 de dezembro, o presidente se irritou com repórteres ao ser questionado sobre a operação de busca e apreensão que teve como alvo seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro. Na ocasião, Bolsonaro disse a um repórter que ele tinha “uma cara de homossexual terrível”. No dia seguinte, o presidente recebeu jornalistas no Palácio da Alvorada, quando não elevou o tom de voz ao responder sobre o mesmo tema.

Naquela entrevista, Bolsonaro disse que se controla ao falar com jornalistas e que a mídia o “provoca” para ter manchete. Bolsonaro afirmou à época que reflete sobre algumas declarações e que se arrepende, em alguns casos. Bolsonaro comparou a relação com a imprensa ao futebol e continuou, em tom irônico: “É igual futebol, ali na frente, de vez em quando, você manda seu colega para a ponta da praia. Depois vai tomar uma tubaína com ele”, afirmou.

Quem começou esta relação azeda com parcela da imprensa foi o regime corrupto do PT, ainda lá no primeiro governo de Lula, quando o chefe de comunicação da Presidência da República era o jornalista petista Ricardo Kotscho.

Quando estava no Estadão, ele ganhou Prêmio Esso por série de reportagens sobre as mordomias no regime militar, e também por outra série sobre a corrupção na Capemi. Depois, em governo petista, virou adorador de corrupto.

Na época, Kotscho disse não compreender como era possível ainda haver jornalista contra o governo do PT, em vista da alta popularidade do ladrão corrupto Lula. E a Secretaria de Comunicação do PT elaborou uma lista de jornalistas oposicionistas no Brasil inteiro que deveria ser “eliminada”.

Um dos que encabeçava a lista era Reinaldo Azevedo, que hoje se rendeu ao petismo, voltando ao berço original (ele era membro do grupelho trotskista Convergência Socialista).

Os jornalistas brasileiros, desde antes do golpe militar de 1964, com raras exceções, ou eram comunistas, ou “ampliações” (simpatizantes) do PCB (Partido Comunista do Brasil). Só se conseguia um emprego na imprensa por indicação do PCB.

Raros eram os jornalistas de direita ou católicos, como Nelson Rodrigues. Este era respeitado pela esquerda porque tinha paixão completa pelo futebol e era um genial autor teatral.

Após a implantação do regime militar, com a violenta crise que se abateu entre os comunistas, o PCB passou, paulatinamente, a perder importância entre os jornalistas. Durante alguns anos, jornalistas aderiram à atividade militar (terrorismo), praticando assaltos, sequestros e outras atividades criminosas. Exemplos disso: Miriam Leitão e Fernando Gabeira.

Na década de 70, após a dizimação das organizações guerrilheiras/terroristas, as esquerdas se abrigaram por um período dentro do MDB, no período do bipartidarismo. Gostavam de chamar o partido de “bonde”, que abrigava qualquer um, da direita à esquerda.

Dentro do MDB aglutinavam-se em grupos, e aprenderam tudo que era preciso aprender com a política fisiológica brasileira. No final dessa década, os jornalistas esquerdistas passaram a se definir pela criação do Partido dos Trabalhadores, completamente fascinados, de maneira acrítica, pela figura do líder metalúrgico Lula, um corrupto da vida inteira.

Isto levou à convocação da greve dos jornalistas em maio de 1979, em São Paulo. Foram necessárias cinco assembléias até a decisão da greve (as duas primeiras no salão do sindicato, na rua Rego Freitas), as duas seguintes no átrio da Igreja da Consolação, e a última no Teatro Tuca, da PUC, nas Perdizes.

O bêbado Lula esteve presente nesta assembléia, aos gritos contra os “jornalistas burgueses”, com sua barba grande, boné de couro e olhos vermelhos injetados, cercado por cupinchas mal-encarados.

Estava em disputa nessa greve a hegemonia da classe jornalistica. E nela os novos petistas tornaram-se hegemônicos, deixando claro ali a completa decadência do PCB, e sua substituição, como “vanguarda da classe operária”.

E dai a pretensão débil mental de Ricardo Kotscho e outros do gênero iguais a ele de que todos os jornalistas precisavam se render às maravilhas do grande gênio Lula. Eles não se conformavam que houvesse jornalista crítico ao regime petralha (palavra inventada por Reinaldo Azevedo).

Portanto, a guerra aos jornalistas independentes foi declarada e decretada pelo petismo, pelos jornalistas petistas. E, durante décadas, Jair Bolsonaro foi um dos alvos prediletos desse petismo com pretensão hegemônica totalizante e totalitária.

Jornalistas não perdiam a oportunidade, nunca, de demonizar a figura de Jair Bolsonaro. Nada a estranhar, portanto, que Bolsonaro tenha aversão por jornalistas, que nunca tiveram a verdadeira intenção de ouví-lo, mas apenas de satanizá-lo.

Mas, obviamente, o próprio Jair Bolsonaro sabe da importância da imprensa, tanto que criou uma maneira nova de se comunicar com ela, e por meio dela com os brasileiros, que é por meio de suas famosas entrevistas na portaria do Palácio da Alvorada, e também na saída do Palácio do Planalto, chamadas de “quebra queixo” (referência aos microfones empurrados em direção ao político, para ouví-lo; agora até um palanque já foi colocado na portaria do Palácio da Alvorada para que os microfones sejam colocados ali).

E, apesar de ser crítico constante da imprensa e dos jornalistas, na real nunca houve, no Brasil, um presidente que falasse mais com a imprensa do que todos os outros presidentes anteriores. Mais do que isso, ele tem sempre tem alguma notícia para os jornalistas, ele sempre produz algum tema, ao contrário dos outros que eram reis do “nhém nhém nhém”, especialistas em nada dizer.

Quanto à declaração de Jair Bolsonaro de que “jornais envenenam”, ela é absolutamente correta, os jornais brasileiros são criminosamente ideologizados e defensores das pautas esquerdistas, não por acaso, mas porque estas mantém regimes corruptos, nos quais flui fácil o dinheiro do distinto público para bolsos privados. Aliás, grande parte desses jornalistas que dominam a cena brasileira enchiam seus bolsos no regime petralha com muito convenientes palestras para cá e para lá, pagas com dinheiro público, por exemplo, de Sebraes da vida.

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