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Bolsonarismo domina conferência de direita

O Brasil entrou no circuito mundial da direita com a realização da CPAC (“Conservative Political Action Conference”), o maior evento conservador dos Estados Unidos, pela primeira vez no País, nesta sexta-feira, 11, e neste sábado, 12, em São Paulo. Diferente da matriz norte-americana, que costuma abrir espaço para diversos setores da direita, a versão brasileira ficou circunscrita ao bolsonarismo com protagonismo da chamada “ala ideológica”. Possíveis adversários do presidente Jair Bolsonaro no campo conservador, como os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), não participaram, porque na verdade são mais sociais-democratas, em última análise, sócios do petismo.

O presidente do PSL, Luciano Bivar, teve o nome excluído da lista de participantes na quarta-feira, 9, em meio à disputa com Bolsonaro pelo controle do partido. Dos quatro ministros que participaram das mesas, apenas Onyx Lozenzoni (Casa Civil) não foi indicado por Olavo de Carvalho. Os outros foram Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Abraham Weintraub (Educação).

A realização da conferência no Brasil é parte de uma tentativa de expansão global da ação política conservadora. Antes restrita aos Estados Unidos, onde é feita desde 1973, este ano a CPAC terá versões também na Austrália, Coréia do Sul, Japão e Irlanda. Ao todo a conferência terá 27 palestrantes, nove deles estrangeiros. Os destaques foram Matt Schalpp, presidente da American Conservative Union (ACU, União Conservadora Americana); e o senador republicano Mike Lee, que já foi chamado de “o senador mais conservador dos Estados Unidos”.

A expectativa dos organizadores brasileiros, liderados por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), era reunir cerca de 1.200 pessoas nos dois dias de evento. No Brasil a participação foi gratuita, ao contrário dos Estados Unidos, onde os ingressos custam de US$ 55,00 (R$ 226,00) a US$ 5.750,00 (R$ 23,6 mil). A organização é da ACU e da fundação Instituto de Inovação e Governança (Indigo). Vinculado ao PSL, o instituto vai arcar com todos os custos, sem patrocinadores.

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