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Bloco da Favorita dá a largada nos 50 dias de carnaval no Rio de Janeiro

Milhares de foliões ocuparam neste domingo (12) a praia da Copacabana, no Rio de Janeiro, para acompanhar o Bloco da Favorita e outras atrações da programação de abertura oficial do carnaval da cidade. A prefeitura anunciou para este ano 50 dias festa. A organização da abertura coube à Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur).

A estatal municipal decidiu manter o palco principal do réveillon de Copacabana montado para realizar o evento. O som começou pouco após às 15 horas. O Bloco da Favorita, que tem o funk como seu ritmo predominante, desfilou pela primeira vez no Rio de Janeiro em 2013. Em suas apresentações há sempre convidados especiais. Neste ano, subiram ao palco as cantoras Preta Gil e Sandra de Sá, o cantor Toni Garrido, a Banda de Ipanema e variados MCs.

O bloco também está agendado para o carnaval de São Paulo, no dia 15 de fevereiro. Antes do início dos shows foram apresentados os candidatos que chegaram à final do concurso da Corte Real da Folia, com a escolha do Rei Momo, da Rainha do Carnaval e das duas princesas.

Os votos dos jurados foram apurados enquanto o funk já agitava do público e o resultado foi anunciado por volta de 18 horas, durante intervalo dos shows. Foi a primeira vez que a final do concurso ocorreu na praia. Geralmente ele é realizado na Cidade do Samba, acompanhado por um número bem menor de pessoas. Foram eleitos Djeferson Mendes como Rei Momo, Camila Silva como Rainha do Carnaval, Deisiane Conceição de Jesus e Cinthia Aparecida Martins de Oliveira como princesas.

Os candidatos foram avaliados em diversos quesitos como desembaraço, sociabilidade, simpatia, espírito carnavalesco e domínio da arte de sambar. A premiação prevista era de R$ 30 mil para Rei Momo e Rainha do Carnaval. Já as duas princesas levam R$ 22,5 mil e o Vice-Rei fica com R$ 3,5 mil.

Um esquema especial de trânsito nas principais vias de acesso e entorno do evento foi preparado pela prefeitura envolvendo profissionais da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) e agentes da Guarda Municipal. A atração chegou a ser vetada. Há cerca de uma semana, a Secretaria Estadual de Polícia Militar negou à organização do bloco a autorização para que o desfile parado ocorresse.

O embargo foi justificado com base no Decreto Estadual 44.617/2014, que exige o protocolo com 70 dias de antecedência dos requerimentos de autorização para a realização de eventos de grande porte. A pasta, no entanto, voltou atrás e anunciou na última quarta-feira (8) que a atração estava liberada após o bloco atender algumas exigências. Houve ainda uma tentativa de suspensão do evento por parte do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Foi pedida uma liminar por meio de uma ação civil pública ajuizada na sexta-feira (10). Na ótica do Ministério Público, a realização do evento não cumpria requisitos legais, o que poderia acarretar riscos ao patrimônio público e à integridade física. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro indeferiu o pedido de liminar. O juiz Marcelo Martins Evaristo, titular da 9ª Vara de Fazenda Pública, considerou não ser habilitado para apontar ilegalidade ou insuficiência das medidas adotadas pelas autoridades competentes com vistas à garantia da segurança do evento.

O Bloco da Favorita já não havia desfilado no ano passado por falta de acordo com os órgãos públicos sobre o local da apresentação. Para a empresária e promoter do bloco, Carol Sampaio, foi possível achar uma solução neste ano. Ela avalia que o prazo de 70 dias exigido é muito rigoroso. “É humanamente impossível para qualquer evento. É muita antecedência, muito grande, e precisamos de liberação da prefeitura e do governo. Não é um processo unificado. Nesse caso, nós fomos convidados para fazer esse evento em dezembro. Então não era nem possível dar entrada no pedido em tempo útil”.

Também presente no evento, o presidente da Riotur, Marcelo Alves, disse que a estatal municipal “respeita todos os órgãos públicos que são soberanos na questão de segurança”. O excesso de requisitos para a liberação das atrações do carnaval tem sido motivo de críticas por parte dos organizadores de diversos blocos nos últimos anos. Neste ano, o quadro pouco se alterou.

Em postagem nas suas redes sociais, o saxofonista da Orquestra Voadora criticou no mês passado a demanda apresentada ao bloco de seis ambulâncias, 42 maqueiros, seis enfermeiros e três médicos. “É cobrar de um bloco de carnaval o que não se oferece à população. Se ficar doente no dia do nosso desfile, não procure um hospital público, não. Vá na Orquestra Voadora que lá vai estar mais bem equipado”, escreveu.

Alguns blocos tradicionais se mantêm críticos à necessidade de cadastro e defendem menos tutela na organização de seus desfiles. Um dos mais famosos deles, o Boi Tolo, se nega a definir de antemão o percurso que fará e toma decisões ao longo do desfile. Na última semana, a CET-Rio afirmou que a ausência de cadastro prejudica o esquema montado para o trânsito e que há risco para o público quando o tráfego não é interrompido. O órgão também disse que tais blocos não poderão contar com estrutura oferecida pela prefeitura.

Também em defesa de um carnaval com menos regras, pouco mais de 20 blocos, incluindo cadastrados e não cadastrados, mantiveram a tradição de realizar uma abertura não oficial do carnaval carioca. No último domingo (5), eles realizaram desfiles em locais variados do centro da cidade. A iniciativa foi convocada pelo movimento Desliga dos Blocos, que se proclama “em defesa da liberdade criativa e contra a mercantilização do carnaval de rua do Rio de Janeiro”.

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