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Bank of America diz que privatização será a porta de entrada para investidores no Brasil

Um dos maiores bancos estrangeiros com atuação no Brasil, o Bank of America Merrill Lynch (BofA) vê nas privatizações colocadas em curso pelo governo federal uma porta de entrada para investidores financeiros e estratégicos no País. “O governo está saindo de negócios que não são estratégicos e há muitas empresas no radar dos investidores”, disse Hans Lin, chefe da área de banco de investimento do BofA.

O banco tem sido ativo nessas negociações e está em conversas com estatais, como Petrobras e Caixa Econômica Federal, além do BNDES e da Secretaria de Privatização, para entender como o governo está conduzindo esses processos. Nos últimos meses, a Petrobras vendeu vários ativos – como o gasoduto TAG, por US$ 8,6 bilhões, além de campos de petróleo – e está prestes a fechar mais negócios. Na lista, há oito refinarias, que têm atraído grupos que não atuam no Brasil.

Os bancos públicos também estão indo a mercado para levantar recursos por meio de aberturas de capital e novas emissões de ações de empresas já listadas na Bolsa. “Temos um ambiente pró-reforma que já está tendo impacto no mercado”, afirmou Lin. “As discussões estão bem encaminhadas e, se antes falávamos de uma economia de R$ 500 bilhões (com a Previdência), agora é quase o dobro”. Para ele, a surpresa boa será se o governo incluir os Estados e municípios. Evidentemente, a lentidão na retomada da economia e o desemprego alto preocupam. Mas, ainda assim, segundo ele, os investidores voltaram a, mais uma vez, colocar o Brasil no radar.

“É importante observar que o mercado de capitais está muito aquecido e com ótimos ativos”, afirmou. Assim, o banco tem projetado o crescimento da economia de 0,7% para este ano e de 1,9% em 2020. “Se olharmos as economias de outros países, não há crescimento expressivo, como na Europa e Japão”, afirmou. “Os Estados Unidos estão crescendo menos. Na China, tem toda essa incerteza. O único País que tem tamanho para atrair investimentos e potencial de crescimento é o Brasil”.

Coordenador de algumas das mais importantes ofertas no mercado de capitais este ano, o banco esteve envolvido em R$ 38 bilhões dos R$ 60 bilhões emitidos nos primeiros sete meses do ano. A perspectiva é que o mercado movimente em 2019 até R$ 100 bilhões. O BofA tem mandato para 20 emissões em andamento e há outras 20 operações no radar, o que mostra, segundo Lin, a confiança do investidor em empresas no Brasil. As operações de fusões e aquisições também devem seguir firmes.

As privatizações deverão dar impulso, mas há investidores estratégicos e financeiros de olho em diversos setores industriais no País. Até o momento, o banco fechou 12 transações – quatro delas em campos de petróleo da Petrobrás. Também foi um dos coordenadores da compra da Avon pela Natura, da Alliance com a Sonae Sierra e a compra dos ativos externos da BRF pela gigante Tyson.

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