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Banco BTG é alvo de operação da Polícia Federal e Ministério Público Federal por vazamento de informação sobre Selic

Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (3) pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, baseada na delação premiada do petista Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos do regime da organização criminosa do PT, investiga vazamentos dos resultados das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) para beneficiar um fundo de investimento administrado pelo banco BTG Pactual.

O Copom é o órgão do Banco Central que determina a taxa básica de juros (Selic) da economia. A operação recebeu o nome de Estrela Cadente. Segundo a investigação, os vazamentos ocorreram entre 2010 e 2012. O fundo de investimento do BTG Pactual recebia informações sigilosas sobre alterações na taxa de juros Selic e, com isso, conseguia obter lucros extraordinários, na casa de dezenas de milhões de reais.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam os crimes de prática de corrupção passiva, corrupção ativa, informação privilegiada, lavagem de dinheiro e ocultação de ativos. Um mandado de busca e apreensão na sede do banco, em São Paulo, foi expedido pela Justiça Federal e cumprido hoje.

Segundo a Polícia Federal, o objetivo é buscar novas evidências sobre a investigação, que corre sob segredo de Justiça. Em nota, o BTG Pontual diz que o fundo do banco, chamado Fundo Bintang FIM, tinha um único cotista pessoa física, “profissional do mercado financeiro que também era o gestor credenciado junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que nunca foi funcionário do BTG Pactual ou teve qualquer vínculo profissional com o banco ou qualquer de seus sócios”. O banco “exerceu apenas o papel de administrador do referido fundo, não tendo qualquer poder de gestão ou participação no mesmo”, acrescenta o texo divulgado pela instituição.

O BTG tem como um dos sócios, que é seu dirigente máximo, o executivo André Esteves, que já foi preso logo após a prisão e delação premiada do petista Antonio Palocci. O ex-ministro petista e delator Antônio Palocci detalhou em delação premiada esquema de vazamento de informações privilegiadas sobre alterações da taxa básica de juros, a Selic, do Banco Central, envolvendo o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e o ex-ministro Guido Mantega (Fazenda/Governos Lula e Dilma).

Palocci foi preso em setembro de 2016, na Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato. Condenado pelo então juiz federal Sérgio Moro a doze anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e acuado por outras investigações da Lava Jato, Palocci fechou acordo de delação premiada, inicialmente, com a Polícia Federal no Paraná.

Em novembro de 2018, ele foi solto e deu início a uma longa série de depoimentos. As revelações do ex-ministro petista provocaram a abertura de diversas frentes de investigação. Uma delas culminou na Operação Estrela Cadente, detonada nesta quinta-feira. No anexo 9 de sua extensa delação premiada (ao todo, são 84 anexos), Palocci afirma que, em agosto de 2011, o ex-ministro da Fazenda, o petista Guido Mantega, participou de uma reunião com o então presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e a ex-presidente mulher sapiens Dilma Rousseff.

Na ocasião, Tombini foi informar a posição do Banco Central em reduzir, pela primeira vez em dois anos, a taxa Selic de 12.5% para 12%. Foi a primeira vez que ocorreu uma guinada para baixo nos juros após tendência de alta que vinha ocorrendo desde 2009. Mantega então teria repassado a informação privilegiada para André Esteves, comunicando sobre a futura posição do Banco Central em baixar a Selic.

O banqueiro, por sua vez, “realizou diversas operações no mercado financeiro, obtendo lucros muito acima da média dos outros operadores financeiros”, segundo a delação de Palocci. Os lucros vieram do Fundo Bintang, administrado pelo PTG Pactual, criado em 2010. “Essas operações, contrariando todos os operadores do mercado, apostaram nas oscilações para baixo da taxa básica de juros e renderam mais de 400% de lucro no ano”, disse o ex-ministro delator.

Segundo Palocci, o patrimônio do fundo cresceu de R$ 20 milhões para R$ 38 milhões em menos de três meses. O ex-ministro diz que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu investigação para apurar o caso, que foi encerrada sem constatação de irregularidades: “Comentou-se intensamente que André Esteves tinha, finalmente, por intermédio de Guido Mantega, conseguido ‘grampear o Banco Central’”.

Em contrapartida pela informação privilegiada, Palocci afirma que Esteves pagou R$ 9,5 milhões como “doação oficial” da campanha de Dilma, em 2014, e repassou 10% dos lucros obtidos para o bandido corrupto Lula “em forma de vantagens indevidas”.

As relações de André Esteves e o vazamento de informações do Copom são alvo da Operação Estrela Cadente, deflagrada nesta quinta-feira, 3, pela Polícia Federal a partir da delação de Palocci. Os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na sede do BTG Pactual em São Paulo.

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