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Ataque à embaixada americana em Bagdá restaura trauma dos reféns de Teerã

Centenas de manifestantes, simpatizantes das Brigadas do Hezbollah, uma milícia xiita iraquiana apoiada pelo Irã e dirigida pela Guarda Revolucionária iraniana, invadiram na terça-feira, 31, a Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá.

Aos gritos de “Morte à América”, eles tomaram uma das áreas da recepção, derrubando portas fortificadas, vidros à prova de balas, quebrando câmeras de segurança e incendiando duas salas.

Autoridades iraquianas afirmaram que o embaixador americano, Matthew Tueller, e vários diplomatas foram retirados com segurança do prédio.  Vários funcionários ficaram retidos em um bunker dentro do edifício. Dois deles enviaram mensagens por aplicativo para dizer que “estavam seguros”.

A intervenção das forças de segurança iraquianas demorou, mas evitou que os manifestantes entrassem no complexo principal, onde são guardados documentos. A polícia contou com a ajuda de alguns soldados americanos e de tropas iraquianas de contraterrorismo, treinados pelos Estados Unidos.

Eles usaram bombas de gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral. A multidão respondeu com pedras. A invasão foi uma reação aos ataques aéreos americanos que mataram 25 terroristas da milícia xiita, no fim de semana, perto de Al-Qaim, cidade iraquiana na fronteira com a Síria.

O governo dos Estados Unidos responsabiliza os paramilitares iranianos por disparos de foguetes contra uma base americana no Iraque, no dia 27, que matou um civil americano.

Recentemente, a Casa Branca havia prometido “uma resposta firme”. Na segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, culpou o governo iraniano por “orquestrar” a invasão da embaixada.

“O Irã matou um americano e feriu outros. Nós respondemos de maneira forte, e sempre responderemos. Agora, eles orquestraram um ataque à Embaixada dos Estados Unidos no Iraque. Eles serão responsabilizados”, escreveu o presidente no Twitter.

O governo do Irã, comando pelos aiatolás tarados, no entanto, alega que as Brigadas do Hezbollah – que não têm ligação direta com o Hezbollah, movimento xiita libanês – fazem parte das Forças de Mobilização Popular, coalizão de 40 milícias xiitas iraquianas que combate o Estado Islâmico.

O governo teocrático de Teerã afirma que o ataque dos Estados Unidos apenas ajudou os jihadistas. O Iraque também reagiu, afirmando que será forçado a “rever suas relações” com os Estados Unidos” e ameaçou convocar seu embaixador em Washington.

“Os ataques violaram a soberania do Iraque e as regras de engajamento da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos”, afirmou o governo islâmico, em comunicado. “Isso nos força a rever nossas relações nas áreas de segurança, política e jurídica.”

Segundo comunicado da Casa Branca, Trump e o primeiro-ministro iraquiano Adel Abdel Mahdi discutiram questões de segurança regional nesta terça-feira após o ataque. 

A Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá fica dentro da Zona Verde, fortemente fortificada, que normalmente está fora dos limites dos civis. O complexo é a maior instalação diplomática do governo americano no mundo e foi aberto com muito alarde há mais de uma década como um símbolo da influência dos Estados Unidos no Iraque.

Na segunda-feira, porém, o cenário era devastador e parecia um símbolo da vulnerabilidade dos americanos em um país onde os Estados Unidos, cada vez mais, contam com menos aliados.

Jaafar al-Husseini, porta-voz das Brigadas do Hezbollah, disse que a intenção era  que os manifestantes cercassem o prédio até que as instalações fossem  fechadas e os diplomatas americanos deixem o Iraque.

No entanto, nesta quarta-feira, ações de tropas antiterroristas iraquianas e soldados americanos, contaram com a participação de helicópteros Apaches da Cavalaria americana, e isso fez com os terroristas xiitas se afastassem do complexo diplomático dos Estados Unidos.

A crise atual causa calafrios na velha guarda da diplomacia americana, que ainda se lembra da invasão da Embaixada dos Estados Unidos em Teerã, em novembro 1979, quando estudantes comandados pelos aiatolás mantiveram 52 diplomatas reféns por 444 dias.

Ele exigiam que os americanos devolvessem o xá Reza Pahlevi, exilado nos Estados Unidos e derrubado pela  revolução islâmica, para que ele fosse julgado no Irã. Sem acordo, o presidente americano, Jimmy Carter, foi criticado por deixar a situação sair do controle. Ele tomou várias medidas, incluindo um embargo ao petróleo iraniano. Finalmente, em setembro de 1980, Khomeini encerrou a questão e libertou os reféns.

Para Carter, o episódio custou a sua reeleição – ele acabou derrotado pelo republicano Ronald Reagan, tornando-se o único presidente democrata a não conseguir se reeleger.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou no Twitter nesta quarta-feira que o Irã “está orquestrando um ataque à embaixada dos Estados Unidos no Iraque. Eles serão considerados totalmente responsáveis”. 

A declaração ocorre após Washington realizar ataques no Iraque e na Síria contra o grupo de milícias Kataib Hezbollah, dois dias depois de um empreiteiro civil americano ser morto em um ataque com foguete numa base militar iraquiana.

O presidente americano também indicou que as forças iraquianas devem proteger a embaixada dos Estados Unidos em seu território. “Além disso, esperamos que o Iraque use suas forças para proteger a embaixada e, portanto, notificado!”, escreveu.

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