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André Carús, presidente do MDB, renuncia ao mandato de vereador em Porto Alegre

Duas semanas depois de deixar o Presídio Central, onde esteve preso na condição de investigado por extorsão de funcionários da Câmara Municipal de Porto Alegre, o vereador André Carús, do MDB, anunciou na manhã desta quarta-feira, em entrevista coletiva na sede do partido na capital gaúcha, a renúncia ao seu mandato e o aviso de que está deixando a vida pública. Na verdade, a vida pública é de que deixou dele.

O seguidor de Pedro Simon não resistiu às pressões da alta nomenklatura do MDB, que passou a exigir sua renúncia ao mandato e à presidência do partido em Porto Alegre, com alegação de que ele seria cassado pela Câmara Municipal da capital gaúcha. Eleito presidente do partido no dia 24 de agosto, com as bençãos do grande chefão partidário Pedro Simon, o MDB deu todos os indicativos de que gosta de correr perigo.

André Carus já vinha sendo investigado desde sua gestão na direção geral do DMLU (Departamento Municipal de Limpeza Urbana), em 2016, quanto teve invadida a sede do órgão e sua casa, com apreensão de documentos, celulares e computadores, em operação do Ministério Público e da Polícia Civil.

Há inquéritos sigilosos contra ele tramitando no Ministério Público e no Tribunal de Contas, os quais nunca chegam ao seu final. Apesar deste histórico negativo, o MDB resolveu dar suporte à candidatura dele à presidência do partido, com o apoio decisivo de Pedro Simon.

Nessa condição, André Carus deveria comandar as negociações para a formação de alianças do partido com vistas à eleição para a prefeitura no próximo ano. Agora, sua prisão, com ampla repercussão, deixou o partido embretado e a alta nomenklatura passou a exigir a sua renúncia aos postos que ocupava.

O MDB gosta de correr risco porque o diretório regional é presidido, em segunda gestão, pelo ficha suja deputado federal Alceu Moreira, com certidão expedida pelo Conselho Nacional de Justiça. Após a renúncia, assume como titular de mandato a vereadora suplente Lourdes Sprenger, do MDB.

André Carus disse que enfrentava uma situação financeira difícil, devendo mais de 100 mil reais. Isso é difícil de compreender, já que ele e a mulher, Ema, funcionária do gabinete do deputado federal Marcio Biolchi (ela também teve cargo de assessora no gabinete da ex-deputada estadual Maria Helena Sartori, e na Casa Civil, durante o governo de José Ivo Sartori), têm alta renda familiar mensal. Mas, ele disse que o empréstimo que fez no Banrisul consumia 40% do seu salário líquido como vereador e, por isso, viu-se obrigado a recorrer a uma série de agiotas. Por que e com quem o vereador se endividou tanto é uma pergunta que ele não quis esclarecer.

Por causa das dívidas, girando atualmente em torno de 400 mil reais, os seus funcionários, muito solidários, conforme ele, teriam se reunido e resolvido tirar os empréstimos consignado em seus nomes, inventando doenças para aumentar o teto, e repassar os valores para ele.

É difícil de se acreditar na historieta já que o caso dele foi denunciado à Polícia Civil por uma funcionária do gabinete dele. Na manhã do dia 24 de novembro de 2016, agentes do Ministério Público do Rio Grande do Sul e da Polícia Civil invadiram a sede do DMLU, com ordens judiciais de busca e apreensão, que também foram cumpridas na casa de André Carus e de outros dirigentes do órgão. A operação, denominada Fosso de Tártaro, investigava crimes de estelionato, peculato, concussão, crimes licitatórios, corrupção, bem como associação criminosa e lavagem de dinheiro.

De acordo com o promotor Nilson de Oliveira Rodrigues Filho os envolvidos tinham praticado diversas fraudes na execução dos contratos firmados com o DMLU, desde a não prestação do serviço contratado, a adulteração do peso dos caminhões com o objetivo de aumentar o valor pago pela prefeitura. Entre os investigados estavam André Carús, o ex-diretor, Gustavo de Souza Fontana, o representante da empresa Cootravipa, Jorge Luiz Bitencourt da Rosa, o representante da empresa B.A. Meio Ambiente, Jean de Jesus Nunes, e os chefes de fiscalização do departamento.

Não se tem notícia de que, passados três anos, o Ministério Público tenha encaminhado o inquérito à Justiça gaúcha com as devidas denúncias judiciais. Muitas das acusações pelas quais eram realizadas as investigações já devem ter prescrito, ou estar em vias de prescrição, o que não é nada anormal. André Carus tanto tinha o apoio de Pedro Simon à sua gestão no cargo de presidente do Diretório Municipal de Porto Alegre do MDB que o seu vice era o próprio filho do ex-senador, o deputado estadual Tiago Simon.

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