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Ampliação de malha de gasodutos pode gerar R$ 17 bilhões em investimentos, diz EPE

O plano de expansão da malha de brasileiros de gasodutos pode gerar investimentos de até R$ 16,8 bilhões, calcula a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). A cifra considera a construção de 16 novas rotas para transporte do combustível pelo País, com extensão total de 1,7 mil quilômetros. Lançado nesta quinta-feira (5), o Plano Indicativo de Gasodutos da EPE considera que o crescimento da produção nacional de gás vai gerar demanda pelas novas rotas de transporte, seja para a expansão da malha de abastecimento existente, seja para ligar novos campos produtores ao continente.

O documento recupera projetos já autorizados, mas que ainda não saíram do papel, como o Gasoduto Brasil Central, que chega até Brasília, e o gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre, que permite a importação de gás argentino. Considera que a oferta líquida de gás no País vai passar dos atuais 59 milhões para 147 milhões de metros cúbicos por dia, com aumento da produção principalmente nas bacias de Campos, Santos e Sergipe-Alagoas. E que o preço do gás vai cair, justificando empreendimentos industriais que viabilizem a construção dos dutos.

O plano é indicativo – isto é, aponta projetos que liguem nova oferta de gás a regiões com demanda reprimida – mas não determina que as obras serão construídas, o que dependerá do interesse de investidores. Dos 16 gasodutos indicados, cinco ligam campos produtores no mar ao continente – do pré-sal à bacia de Sergipe-Alagoas- e os outros transportam o gás aos mercados consumidores.

O maior deles é o Brasil-Central, com cerca de 905 quilômetros de extensão ligando São Carlos (SP) à capital federal e investimentos previstos em R$ 7,1 bilhões. O projeto chegou a ser autorizado à empresa TGBC, do empresário Carlos Suarez, mas foi suspenso depois que a Petrobras desistiu de usar a tubulação para abastecer a natimorta fábrica de fertilizantes de Uberaba (MG). Já o gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre estava suspenso por falta de gás na Argentina. Agora, com a descoberta de reservas gigantes de gás não convencional em uma área denominada Vaca Muerta, na Patagônia, volta ao radar de investidores.

O projeto foi orçado pela EPE em R$ 4,6 bilhões. Outro projeto de grande porte é a duplicação do trecho sul do Gasoduto Bolívia-Brasil, que está operando no limite de sua capacidade. Para ampliar a oferta de gás na região Sul, o investimento previsto é de R$ 1,8 bilhão. No mar, a EPE vê necessidade de três novas rotas ligando campos do pré-sal ao litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Há hoje duas em operação e uma terceira em construção, com capacidade somada para transportar 44 milhões de metros cúbicos por dia. Em 2030, diz a EPE, o pré-sal estará produzindo 71 milhões. Além disso, considera a necessidade de outro duto no litoral capixaba e um ligando as reservas de Sergipe ao continente. Cada uma das redes de escoamento deve demandar a construção de uma unidade de tratamento de gás, com investimentos estimados em R$ 2,3 bilhões por unidade.

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