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Alvo de espiões e hackers, Sérgio Moro já autorizou compra de R$ 485 mil em equipamentos de contrainteligência

O ministro da Justiça, Sergio Moro , que teve seu telefone celular invadido por um hacker nesta semana, autorizou no início do ano a compra, por R$ 485 mil, de equipamentos de contrainteligência para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em 18 de janeiro, a pasta adquiriu por R$ 314.250,00 uma maleta antigrampo que abriga um analisador de espectro próprio para fazer varreduras que identificam frequências provenientes de câmeras escondidas, microchips e escutas ambientais. A maleta pesa 10 quilos e pode ser utilizada “em operações de campo”, de acordo com a descrição do produto na ata de registro de preços. O contrato vigora até julho deste ano. Em março, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, comprou por R$ 170.538,00 um detector de junção não linear. O contrato vigora por um ano, até março de 2020. Conhecido como “vassourinha”, o equipamento, segundo descrito no site da empresa que o importa, “detecta e localiza rapidamente dispositivos eletrônicos ocultos em paredes, pisos, tetos, acessórios, móveis ou recipientes, independentemente se o dispositivo estiver transmitindo ou desligado”.
Os equipamentos de contrainteligência são os mesmos que em 2016 foram apreendidos pela Polícia Federal durante a operação Métis, que investigou o uso de contrainteligência nas residências dos senadores e ex-senadores José Sarney, Fernando Collor, Glesi Hoffman e Edison Lobão. Na ocasião, a varredura foi feita logo após o cumprimento de mandados de busca e apreensão pela força-tarefa da Lava-Jato nos locais, o que levantou a suspeita de que os investigados estivessem usando a Polícia Legislativa do Senado para tentar embaraçar as investigações da Polícia Federal. As compras autorizadas por Moro foram negociadas com a Berkana Tecnologia em Segurança Ltda, empresa com sede em São Paulo e única fornecedora de equipamentos de contrainteligência para o poder público no País. A Polícia Federal investiga a invasão do celular do ministro da Justiça. Depois de invadir o celular de Moro, o hacker ligou para o próprio ministro. Moro achou estranho mas, mesmo assim, atendeu. A assessoria não informou se o ministro chegou a conversar com o invasor. Momentos após essa ligação, o invasor acessou o Telegram de Moro. Há pelo menos dois anos o ministro não usava o aplicativo. A partir daí, o ministro não teve dúvidas de que poderia estar sendo vítima de um golpe. Moro repassou a informação para a Polícia Federal investigar o caso e trocou de linha.
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