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Ações da Neoenergia subiram 8% após estreia na Bolsa

A chegada no mercado brasileiro de ações da empresa da Neoenergia, controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, foi bem recebida pelos investidores. Com alta de mais de 8% no pregão de estreia, os papéis da companhia fecharam cotados a R$ 16,96. A companhia realizou o maior IPO (oferta inicial de ações) de uma empresa do setor elétrico na Bolsa paulista ao menos desde 2004, de acordo com informações no site da B3. “O mercado recebeu muito bem a estreia da Neoenergia na bolsa. Aliado ao bom momento pelo qual passa o setor, os investidores gostaram de que o Banco do Brasil se desfez dos papéis (da companhia)”, disse Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. Segundo o analista, a queda da taxa de juros contribui para reduzir o custo da dívida da empresa de energia. A Neoenergia atua desde 1997 no Brasil e controla quatro distribuidoras de energia no País, na Bahia, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte e em São Paulo. A empresa também tem negócios em geração, incluindo uma fatia na hidrelétrica de Belo Monte, em Rondônia, além de presença em transmissão e comercialização. No ano passado, a companhia envolveu-se em uma guerra de lances pela aquisição da distribuidora de eletricidade paulista Eletropaulo, uma disputa que acabou com a vitória da italiana Enel, mas mostrou o apetite dos espanhóis da Iberdrola pelo Brasil.
Além de ter permitido a saída completa da BB Investimentos, a abertura de capital também reduziu as participações da Iberdrola (que passou a deter 50% do negócio, mais uma ação) e da Previ, fundo de previdência dos funcionários do BB, que reduziu sua fatia em quase 8 pontos porcentuais, para 30,3%. A saída do Banco do Brasil do controle da Neoenergia, viabilizada pela abertura de capital, não vai afetar a estratégia de crescimento da companhia, disse Mario Ruiz-Tagle, diretor-presidente da Neoenergia, que tem um plano de investimentos estimado em R$ 30 bilhões para o Brasil entre os anos de 2018 e 2022. Ele lembrou que o negócio está fora da atuação central para um negócio do setor financeiro. Ruiz-Tagle também afirmou que a abertura de capital favorecerá a comunicação com o mercado, permitindo que a Neoenergia explique melhor seus movimentos e teses de investimento. A companhia foi criticada nos últimos anos por sua estratégia de participação em leilões de transmissão, adquirindo projetos com lances questionados pelo mercado. Ruiz-Tagle afirmou considerar as críticas “injustas”. “Somos uma companhia disciplinada, formamos parte de um grande grupo, que é a Iberdrola, e temos disciplina de alocação de capital”, ressaltou. “Entendemos a crítica do mercado, porque ele não nos conhece, agora vamos ter abertura comunicacionais mais fluida e ter mais espaço para explicar.”
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