Porto Alegre,
quinta-feira, 02 de setembro de 2010 - 18h41min
UFRGS cassa título de mestre por causa de fraude na tese Foi preciso quase uma eternidade, e muita persistência, para Luis Milman, jornalista e professor da UFRGS, ver recompensado o seu esforço. Há quase seis anos ele denunciou uma fraude na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na defesa de tese de mestrado de Gilberto Kmohan. A denúncia da fraude foi apresentada no dia 9 de abril de 2001, no processo administrativo nº 23078.01.0095/01-90. Mas, a comissão processante só foi nomeada e instalada no 15 de outubro de 2005, três anos e cinco meses depois de denunciada a fraude.Passado esse tempo, finalmente a universidade reconheceu que houve uma fraude e cassou o título de “Mestre” de Gilberto Kmohan, anulando a sua banca de defesa de tese de mestrado, o que é absolutamente inédito em toda a história da instituição. Kmohan escreveu uma tese sobre o título “O conceito de aura em Walter Benjamin”. Pior, sua tese foi amplamente apoiada, defendida e aprovada por seu orientador, o professor e jornalista Sérgio Caparelli. A tese de mestrado de Gilberto Kmohan tem 123 páginas. Foram comprovados plágios em 63 das 98 páginas de seus três capítulos de introdução (a tese tinha 3,5 páginas de conclusão e 14 páginas de bibliografia). A notícia da cassação do título de mestre de Gilberto Kmohan foi dada pelo vice-reitor, professor Pedro Fonseca. No conjunto, o relatório sobre a tese de Kmohan mostrou as seguintes provas de fraude na tese: a) plágios diversos de trechos (curtos e longos) de obras conhecidas, das quais 6 (seis) são referidas e 9 (nove) não são referidas na Bibliografia; b) parágrafos em que o fraudador mistura trechos que pilhou de distintas obras; c) plágios com mutilação dos trechos pilhados; d) utilização de notas de rodapé com referência adulterada e trechos de obras plagiadas. Foram comprovamente plagiadas as seguintes obras referidas na bibliografia apresentado por Gilberto Kmohan: 1) "Origem do Drama Barroco Alemão, (ODB), São Paulo, Basiliense, 1984 (autor Walter Benjamin, apresentação de Sérgio Paulo Rouanet); 2) "Men in Dark Times" (MDT) , S Diego, Harcourt, Brace & Company , 1968, (autor Hannah Arendt); 3) "Obras Escolhidas - I, Magia e Técnica, Arte e Política", São Paulo, Brasiliense, 1985, autor Walter Benjamin; 4) "Obras Escolhidas - II, Rua de Mão Única", São Paulo, Editora Brasiliense, 1987, autor Walter Benjamin; 5) "Teoria de la Vanguardia", Barcelona, ed. Península, 1987, autor Peter Bürger, prólogo de Hélio Piñón; 6) "O Conceito de Crítica de Arte no Romantismo Alemão", São Paulo, Edusp, 1993, autor Walter Benjamin. Mas, ainda tem mais. O relatório provou que o autor da tese, Gilberto Komohan, também plagiou na sua dissertação de mestrado oito obras que não foram referidas na bibliografia: 1) "La Metafísica de la Juventud"), Barcelona, Paidós, 1993, autor Walter Benjamin, Introdução de Ana Lucas; 2) "História e Narração em Walter Benjamin", São Paulo, Perspectiva, 1994, autor Jeanne Marie Gagnebin; 3) "Dialéctica de la mirada. Walter Benjamin y el proyecto de los Pasajes" (Dialéctica), ed. Visor, Madrid, 1995 (versão em espanhol de "Dialetics of Seeing. Walter Benjamin and the Arcades Project", The MIT Press, Cambridge, Mass/London, 1989, autora Susan Buck-Morss); 4) "Fisiognomia da Metrópole Moderna" (Fisiognomia), São Paulo, Edusp, 1994, autor Willi Bolle; 5) "O Iluminismo Visionário: Benjamin, Leitor de Descartes e Kant (Iluminismo)", Ed. Brasiliense, São Paulo, 1993, autor Olgária C. F. Matos; 6) "Walter Benjamin. O Marxismo da Melancolia", Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1999, autor Leandro Konder; 7) "Sobre Walter Benjamin, Vanguardias, história, estética e literatura. Una visión lationoamericana", Aliança editorial/Goethe Institut Buenos Aires, 1993, coletânea organizada por Gabriela Massuh e Silvia Fehrmann (vários autores), tendo Gilberto Kmohan plagiado o autor Winfired Menninghauss; 8) "Édipo e o Anjo. Itinerários freudianos em Walter Benjamin", Edições Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1981, autor Sérgio Paulo Rouanet; 9) "A Filosofia de Walter Benjamin. Destruição e Experiência", Andrew Benjamin e Peter Osborne (orgs.), Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1997. Quem quiser saber mais um pouco sobre esta incrível história de estelionato intelectual pode acessar o site do professor e jornalista Luis Milman, no endereço www.luismilman.com.br.
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